coração
Ele é interessante, eu digo. Tem bom papo, uma boa visão do mundo, não pisa na grama e não mata animais.
Mas ele está machucado, está magoado, e eu… eu não posso cura-lo. Ele que deve se curar, cuidar, se amar… Ou estou errada?
Alguém que tantas vezes doou seu coração, e foi brutalmente devolvido, lascerado por mãos inábeis… uma ofensa a tal coração, que mal fez ele? apenas amou.
Talvez amou a quem não devia ter amado, talvez amou demais…
Nada disso justifica tal carnificina…
E as qual a outra opção? negar? jogar tal orgão na cara de volta?
Esta manhã encontrei seu coração, numa latinha, na minha sala, ele provavelmente deixou aqui a última vez que veio me visitar.
E o que faço com tal coração tão desgraçado?


novembro 30th, 2008 at 13h 22min
Faz que nem a Colombina [na história A Paixão de Arlequim, do Neil Gaiman], e come o coração do Arlequim. E aí, quem sabe, você se transformará naquilo que mais almeja…
novembro 30th, 2008 at 15h 19min
O coração é um pouco de tecido com um muito de filosofia.
O coração é um muito de órgão com um pouco de piano,
que ressoa um triste e misterioso réquiem.